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Déficit de atenção: como identificar e tratar

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Déficit de atenção: como identificar e tratar

Nos dias de hoje, as pessoas vivem conectadas graças aos dispositivos tecnológicos. Informar-se sobre os últimos acontecimentos, conferir as redes sociais, visualizar e responder às conversas em aplicativos… e estudar! São tantos estímulos para se desviar do foco, que fica difícil identificar o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Nesse cenário caótico, pais e professores tendem a chamar de TDAH a “necessidade” que os pequenos sentem de interagir com o meio digital e as pessoas ao seu redor. Mas é preciso prestar atenção, pois estima-se que o problema afete entre 3% e 5% das crianças brasileiras em idade escolar, de acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABAD). 

Outro fato interessante é que adultos também podem sofrer com o distúrbio. Pesquisas sugerem que o acometa cerca de 3% da população adulta. Hoje, o Sempre Bem vai desvendar esse assunto que causa dúvida em tanta gente. Para isso, contamos com a ajuda da psicóloga clínica, Tatiane Araújo. 

O que é TDAH?

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio que se caracteriza por diversos sintomas, como desatenção, impulsividade, dificuldade excessiva para se concentrar na realização de tarefas, agitação, entre outros. Esses sinais aparecem na infância e podem persistir na vida adulta.

“O TDAH pode ser entendido como uma característica da pessoa. A criança acaba demonstrando os sintomas com mais facilidade, mas o problema pode acompanhá-la na idade adulta com a mesma intensidade”, alerta a psicóloga. Se o adulto não consegue cumprir horários, lembrar os compromissos, começar e finalizar tarefas no trabalho, é bom procurar ajuda especializada.

De modo geral, o TDAH se mostra quando “um indivíduo, embora tente muito realizar suas demandas, tem imensa dificuldade em manter-se implicado nelas até o fim, alternando as tarefas, fazendo várias coisas de forma simultânea e sem concluir nenhum dos trabalhos propostos na maioria das vezes”, detalha a profissional.

Causas

Acredita-se que as causas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade sejam de ordem genética, mas Tatiane também acrescenta que o fator cognitivo pode influenciar. “Podemos pensar no desenvolvimento psíquico do indivíduo, ou seja, a forma como sua subjetividade foi estabelecida a partir de suas relações primárias (vínculos familiares)”, pondera.

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Déficit de atenção x Hiperatividade

Afinal, déficit de atenção e hiperatividade são a mesma coisa? Se você já fez essa pergunta, chegou a hora de acabar com a dúvida. 

O déficit de atenção ocorre quando a pessoa não consegue se concentrar de modo algum em uma tarefa importante e que exige atenção, pois ela se distrai facilmente. Já a hiperatividade, durante a infância, acontece quando a criança se mostra mais agitada no dia a dia do que outras da mesma idade. 

Tatiane salienta que o déficit de atenção e a hiperatividade não precisam ocorrer de forma simultânea na mesma pessoa, embora seja comum isso acontecer. Crianças hiperativas são impulsivas, inquietas e não conseguem controlar a agitação.

Os sintomas de hiperatividade podem afetar negativamente a vida social dos pequenos na escola. Apesar de a inteligência não ser prejudicada pelo TDAH, pode ocorrer desse aluno ser vítima de bullying pelos colegas, repetir de ano e até sentir a autoestima baixa por causa das dificuldades que enfrenta.

Distração x TDAH

Também é preciso entender que distração é diferente de déficit de atenção. De acordo com a profissional, a primeira ocorre em momentos pontuais e não é uma repetição que causa sofrimento excessivo. Já o TDAH apresenta sintomas de forma severa, impedindo o indivíduo de realizar tarefas que necessitam de atenção no cotidiano. 

Quando procurar ajuda?

É normal que as crianças tenham muito mais energia que os adultos, e as brincadeiras que demandam atividades físicas servem para extravasar essa energia acumulada. Portanto, é importante não generalizar e sair atribuindo diagnóstico de TDAH de forma indiscriminada. 

 Confira alguns exercícios que as crianças podem fazer no vídeo (Atividades físicas para crianças)

“Os sinais que podem denunciar a possibilidade de existência do transtorno é a inquietação compulsiva na escola, a agitação excessiva e a impossibilidade de realização de tarefas propostas”, pontua a psicóloga. Em outras palavras, os pais devem procurar um especialista quando as características dos sintomas forem tão fortes que atrapalhem a vida cotidiana saudável.

Diagnóstico do TDAH

Para identificar uma criança com TDAH, o diagnóstico é feito por exames clínicos que avaliam dados como história de vida do paciente e sintomas apresentados. Tatiane também recomenda que esse diagnóstico seja realizado por uma equipe multiprofissional, composta por psicólogo, psiquiatra e neurologista.

Como não há exames físicos para detectar o transtorno, a análise se baseia em uma lista de 21 sintomas, sendo nove associados à desatenção, mais nove relacionados à hiperatividade e três referentes à impulsividade.

Tratamento

O tratamento do TDAH, tanto na criança quanto no adulto, deve ser prescrito de forma individual, analisando cada caso. Qualquer indicação farmacológica deve ser feita pelo médico, mas a psicoterapia é fundamental para todos os pacientes com o transtorno, pois ela ajuda no processo de autoconhecimento. 

A intervenção deve ser feita por profissionais de várias áreas da saúde, como a mental, clínica médica e pedagógica. “Avaliações com psicólogo, fonoaudiólogo, psicomotricista e outros podem ser necessárias, de acordo com a demanda de cada caso. Além disso, é importante que a família e a rede de apoio do indivíduo participe de grupos de apoio psicoeducativo”, completa a psicóloga.

Para o aspecto emocional, a intervenção psicoterápica é uma forte aliada para tratar os sintomas, estimulando a criação de novos hábitos, a melhora da capacidade de enfrentamento, autoestima e autonomia. Já o tratamento com medicamentos é feito com estimulantes e até antidepressivos, dependendo do caso e da resposta do paciente.

De acordo com a ABAD, as primeiras escolhas de estimulantes são: 

  • Lisdexanfetamina
  • Metilfenidato de ação curta
  • Metilfenidato de ação prolongada

Quanto aos antidepressivos, os recomendados são:

  • Imipramina
  • Nortriptilina 
  • Bupropiona 

Lembre que alguns remédios só podem ser vendidos com retenção da receita médica, portanto, leve sempre o RG para realizar a compra. 

 

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Fonte: 

tatiane araujo psicologa

Tatiane Araújo 

Psicóloga clínica CRP 11/13807 | Instagram: @psitatianearaujo


Referências externas: 

  • Associação Brasileira do Déficit de Atenção - ABDA 
  • Instituto Paulista de Déficit de Atenção - IPDA
  • Portal Drauzio Varella