Logo Sempre Bem
Ícone de busca
Ícone do ecommerce
Ícone de busca

Lúpus: entenda tudo sobre essa doença

Tempo estimado: 8 min

Facebook
Twitter
WhatsApp
Lúpus: entenda tudo sobre essa doença

Você já ouviu falar em Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)? Sabe o que é essa doença e como ela impacta na vida de uma pessoa? Pois saiba que o problema afeta cerca de 65 mil brasileiros, tendo incidência nove vezes maior em mulheres do que em homens. Pessoas com lúpus perdem em qualidade de vida, pois muitas vezes precisam conviver com dor e limitações nas atividades do dia a dia, além de tomar medicamentos.

O que é

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) ou somente lúpus é uma doença inflamatória crônica que atinge diversos órgãos e tecidos do corpo, como pele, rins, cérebro, articulações, entre outros. Ele é uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis do corpo; e ocorre principalmente em mulheres adultas jovens (entre 20 e 45 anos). 

Os sintomas das doenças autoimunes costumam aparecer e desaparecer de modo contínuo e sem causa aparente. No caso do LES, os sintomas que o indivíduo pode apresentar são febre, fadiga e dor nas articulações, entre outros (falaremos sobre isso mais adiante).  

Tipos

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), existem quatro tipos de LES, que podem ocorrer por diferentes motivos. Entenda!

Lúpus Discoide

Esse tipo da doença se manifesta apenas na pele da pessoa, causando lesões avermelhadas com formatos, extensões e colorações específicas na derme, principalmente no rosto, na nuca e no couro cabeludo.

Lúpus Sistêmico

O mais comum dos tipos, o lúpus sistêmico pode ser leve ou grave, e às vezes surge por uma evolução do tipo discoide. Na forma grave, a inflamação atinge todo o organismo, comprometendo vários órgãos, como pulmões, rins, coração, articulações etc., além da pele.

Lúpus Induzido por Drogas

Acontece quando as substâncias de algumas drogas ou medicamentos provocam inflamação, gerando sintomas parecidos com os do tipo sistêmico. Os sinais costumam desaparecer quando acaba o uso de tais substâncias.

Lúpus Neonatal

Tipo mais raro da doença, ocorre em filhos recém-nascidos de mulheres com LES. Ao nascer, o bebê pode apresentar problemas no fígado, erupções na pele ou contagem baixa de células sanguíneas, mas esses problemas costumam desaparecer espontaneamente após os primeiros meses.

Veja também o vídeo com a matéria (Lúpus: como viver bem com a doença

Fatores de risco

O lúpus pode se manifestar em pessoas de qualquer idade, raça e sexo. Ainda não se sabe o que causa a doença, mas especialistas acreditam que fatores genéticos, hormonais e ambientais podem contribuir. Conheça alguns fatores:

  • Gênero: a doença é mais comum em mulheres do que em homens, mas pode se manifestar em ambos os sexos.
  • Idade: a maior parte dos diagnósticos de LES acontece entre os 15 e os 40 anos, mas pode surgir em qualquer faixa etária.
  • Etnia: LES é mais comum em pessoas afrodescendentes, hispânicas e asiáticas. Além disso, a incidência do lúpus chega a ser de três a quatro vezes maior em mulheres negras do que em mulheres brancas.

Causas 

Não se sabe ao certo o que causa o lúpus eritematoso sistêmico, no entanto, de acordo com alguns estudos, existem gatilhos que podem desencadear o problema. São eles:

  • Luz solar: a exposição ao sol é um importante gatilho para desenvolver o problema. Quando feita de forma inadequada ou em horários inapropriados, pode iniciar ou agravar uma inflamação preexistente a evoluir para o LES. Além disso, a exposição sem cuidados pode provocar câncer de pele, portanto, não abra mão do protetor solar.
  • Infecções: outra coisa que pode desencadear o LES são as infecções. Elas podem tanto iniciar a doença quanto causar uma recaída em alguns indivíduos, gerando um quadro leve ou grave, conforme cada situação.
  • Medicamentos: lembra o tipo de lúpus induzido por drogas? Então, como já foi mencionado anteriormente, o problema pode estar relacionado ao uso de determinados antibióticos, medicamentos para controlar convulsões e remédios para pressão alta. Caso ocorra qualquer sintoma, informe seu médico. 

Sintomas

Os sintomas do LES podem surgir de repente ou se desenvolver lentamente. É possível que eles se apresentem de forma moderada ou grave, podendo ser temporários ou permanentes. De acordo com o MS, “a maioria dos pacientes com LES apresentam sintomas moderados, que surgem esporadicamente e depois da crise desaparecem”.  

Os sinais também variam de acordo com a parte do corpo afetada. O rash cutâneo, vermelhidão na face localizada nas bochechas e ponta do nariz, afeta quase metade das pessoas com lúpus. Além disso, ele piora com a luz do sol e também pode ser generalizado.  

Outros sintomas são fadiga, febre, dor nas articulações, rigidez muscular e inchaços, queda de cabelo, feridas na boca, lesões na pele que surgem ou pioram com a exposição ao sol, dificuldade de respirar e dor no peito ao inspirar profundamente, sensibilidade à luz solar, dor de cabeça, confusão mental e perda de memória, além de desconforto geral, ansiedade e mal-estar.

Sintomas específicos

A doença também possui sintomas mais específicos que dependem de qual parte do corpo é afetada:

  • Cérebro e sistema nervoso: dor de cabeça, sensação de formigamento, dormência, convulsões, problemas de visão, alterações de personalidade e psicose lúpica.
  • Trato digestivo: dor abdominal, náuseas e vômito.
  • Coração: arritmia cardíaca.
  • Pulmão: dificuldade ao respirar e tosse com sangue.
  • Pele: coloração irregular da derme, dedos que mudam de cor com o frio e vermelhidão na face.

 

ATENÇÃO!! Quando os sintomas se manifestam apenas na pele, significa que o paciente tem lúpus discoide.


Diagnóstico

É imprescindível procurar um especialista para identificar o problema. Isso porque o diagnóstico para LES não é tão simples. Como os sintomas podem variar muito de pessoa pra pessoa e mudam com o passar do tempo, não é raro que ele seja confundido com os sinais de outras doenças.

Ainda não há nenhum exame ou teste único para diagnosticar o lúpus. Essa avaliação é feita a partir da anamnese clínica realizada pelo médico, além de exames de sangue e urina. Conforme informações do MS, os principais testes realizados são: exames de anticorpos, incluindo teste de anticorpos antinucleares, hemograma completo, radiografia do tórax, biópsia renal e exame de urina.

Tratamento

Como outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, por exemplo, a doença ainda não tem cura. O tratamento do lúpus objetiva controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. A escolha da terapia também é feita conforme a intensidade e severidade dos sintomas.

A forma leve pode ser tratada com anti-inflamatórios não esteroides para artrite e pleurisia; protetor solar para as lesões de pele; corticoide tópico para pequenas lesões na pele; e droga antimalárica e corticoides de baixa dosagem para os sintomas de pele e artrite. 

Já o lúpus grave (ou que leve uma pessoa ao risco de morte) costuma ser tratado com alta dosagem de corticoides ou medicamentos para diminuir a resposta dos imunossupressores. Quando tal tratamento não surte efeito, entram em cena as drogas que bloqueiam o crescimento celular, também chamadas de drogas citotóxicas.

Assuntos relacionados

Fonte: Ministério da Saúde | Jornal do Comércio