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DEZEMBRO VERMELHO: UM DOSSIE SOBRE AIDS E IST

A luta contra o vírus HIV, a Aids e outras IST (infecções Sexualmente Transmissíveis) ganha maior destaque neste mês graças a campanha Dezembro Vermelho. O objetivo é alertar para questões relacionadas a prevenção, assistência e proteção dos direitos das pessoas infectadas.


Atualizado em:

Tempo estimado: 6 min

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DEZEMBRO VERMELHO: UM DOSSIE SOBRE AIDS E IST

Por: Ladinne Campi

No ano de 1987, a Assembleia Mundial de Saúde, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), escolheu a data 1º de dezembro para representar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Por isso, esse mês é símbolo de solidariedade, tolerância e compreensão.

AIDS

Segundo o a Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, trata-se de uma infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (da sigla em inglês HIV) que ataca o sistema imunológico, um mecanismo de defesa do corpo, composto por milhões de células de diferentes tipos e funções, que garante suporte e proteção de doenças em geral.

O vírus tem a capacidade de alterar o DNA das células (sobretudo, os linfócitos T CD4+). De forma simples, ele atua fazendo cópias de si mesmo, multiplicando-se.

A transmissão se dá através de mucosas e sangue infectado. Segundo o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde, o contágio se dá das seguintes formas:

Sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha;

Uso de seringa por mais de uma pessoa;

Transfusão de sangue contaminado;

Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;

Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS 2020, da Secretaria de Vigilância em Saúde, publicado no dia 1º de dezembro, de 2007 até junho de 2020, foram notificados no Sinan 342.459 casos de infecção pelo HIV no Brasil:

Região Sudeste: 152.029 casos (44,4%).

Região Sul: 68.385 casos (20,0%)

Região Nordeste: 65.106 casos (19,0%)

Região Norte: 30.943 casos (9,0%)

Região Centro-Oeste: 25.966 casos (7,6%)

Os dados específicos para cada um dos 5.570 municípios brasileiros podem ser visualizados no site do Ministério da Saúde.

A UNAIDS, programa das Noções Unidas, sinaliza que "no Brasil, as pessoas vivendo e convivendo com o HIV/AIDS são amparadas pela legislação, garantindo acesso à saúde pública e ao respeito à dignidade humana." Ou seja: todos os portadores de HIV têm direito ao tratamento gratuito segundo a Lei nº 9.313 de 1996. O mesmo se dá pelo Ministério da Saúde, através do o SUS.

Graças ao acompanhamento, a AIDS não está mais na lista de principais doenças do século XXI.

AIDS X HIV

Para muitos, trata-se da mesma coisa. Este é um conceito errado. Entenda: A AIDS é um efeito colateral causado pelo vírus HIV. Com o avanço da ciência, hoje, a maior parte das pessoas que têm HIV não tem AIDS. Isso se deve, principalmente, ao acompanhamento da doença, indica o portal Conexa Saúde.

AIDS X COVID-19

De acordo com a UNAIDS, estamos aprendendo sobre os impactos da COVID-19 em imunossuprimidos. O portal PEBMED explica que existem dados escassos sobre a associação das doenças na literatura. Ainda segundo o site, uma pesquisa indicou que pacientes HIV positivos apresentaram quadros semelhante a tabagistas e indivíduos com DPOC, cirrose ou neoplasia. A infectologista Isabel Cristina Melo Mendes, responsável pela coluna, pontua que "não parece haver diferenças significativas entre as características e desfechos clínicos da COVID-19 entre indivíduos infectados ou não pelo vírus HIV, especialmente nos que apresentam bom controle imunovirológico."

No entanto, os efeitos da sobrecarga dos serviços em função da pandemia contemplam as ações de prevenção, incluindo testagem para o HIV. O Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde, informa que "de janeiro a maio de 2020, houve uma redução de 17% no número de pessoas que iniciaram a terapia antirretroviral (TARV) em comparação com o mesmo período do ano anterior."

A Organização Mundial da Saúde divulgou uma pesquisa que prevê o impacto na interrupção do fornecimento do antirretroviral no período de seis meses. A conclusão: 500 mil mortes relacionadas a AIDS entre 2020 e 2021.

A UNAIDS insiste para que os serviços de HIV continuem disponíveis. Tudo isso para garantir que as pessoas não fiquem sem medicamentos. Além disso "o acesso aos serviços de COVID-19 devem ser garantidos para pessoas vulneráveis, incluindo uma abordagem direcionada para alcançar aquelas que são mais marginalizadas e deixadas para trás removendo barreiras financeiras, como taxas de serviços, entre outras."

INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

Desde 2016, o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde, substituiu a nomenclatura "DST" por "IST". Quando nos referimos à "Doenças Sexualmente Transmissíveis", atribuímos sintomas e sinais visíveis no organismo do indivíduo. Já as "Infecções" podem se manter assintomáticas por períodos ou até mesmo por toda a vida.

Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, as IST são causadas por vírus, bactérias ou microrganismos em consequência do contato sexual sem o uso de preservativo, através de uma pessoa infectada. É importante destacar que, mesmo em proporções menores, as IST também podem ser transmitidas por meio não sexuais, ou seja, através do contato de mucosas ou pele não íntegra com secreções corporais contaminadas. Além disso, durante a gestação, parto ou amamentação, da mãe para a criança.

Principais IST:

Herpes genital

HPV

Doença Inflamatória Pélvica (DIP)

Donovanose

Gonorreia e infecção por Clamídia

Linfogranuloma venéreo (LGV)

Sífilis

Infecção pelo HTLV

Tricomoníase

O portal explica, ainda, que as IST manifestam-se, em geral, por meio de feridas, corrimentos e verrugas anogenitais. Mas, os sintomas também podem incluir dor pélvica, ardência ao urinar, lesões de pele e aumento de ínguas. Geralmente, as IST aparecem no órgão genital mas, em alguns casos, surgem na palma das mãos, olhos e língua.

Nesse caso, conhecer e observar o seu corpo é fundamental para identificar uma IST. O autoexame deve ser feito periodicamente, levando em consideração que nem sempre as lesões aparecem imediatamente após a relação sexual.

Um relatório da OMS revelou que, diariamente, mais de 1 milhão de casos de IST são registrados. Segundo o INCA - Instituto Nacional do Câncer, 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento da vida. Os números também são expressivos entre os homens: estima-se que 50% da população masculina mundial esteja infectada pelo HPV. Felizmente, em muitos casos, a doença é transitória e regride espontaneamente.

Existem duas vacinas para combater a doença que pode evoluir para um quadro de câncer do colo do útero. Em 2014, o SUS passou a fornecer, gratuitamente, a do tipo quadrivalente em meninas de 9 a 13 anos. A partir de 2017, as meninas de 14 anos também foram incluídas. O mesmo ocorre para os meninos de 11 a 14 anos.

HIV e IST: ESTIGMA E DISCRIMINAÇÃO

Segundo a UNAIDS, um dos maiores obstáculos tanto para a prevenção quanto para o tratamento dessas doenças é a discriminação. Para muitos, essas questões ainda são tabus que impedem a busca por informações, serviços e métodos de prevenção, bem como o interesse em fazer testes e realizar exames.

No caso das pessoas que vivem com HIV/AIDS (PVHIV), os serviços de saúde, em especial da Atenção Básica, favorecem o vínculo terapêutico, promovendo um estilo de vida saudável, como cita o manual "Cuidado integral às pessoas que vivem com HIV pela Atenção Básica”, da Secretaria de Vigilância em Saúde.

Fontes: Biblioteca Virtual em Saúde - Ministério da Saúde, Conexa Saúde, Portal PEBMED, Organização Mundial da Saúde (OMS), INCA - Instituto Nacional do Câncer.

Imagem: Freepik